06/05/2018

Apenas…



Galerinha, Freud, no ensaio “O mal-estar na civilização”, publicado em 1930, afirma que o prazer é um sentimento que dura pouco, exige contraste, e costuma ser bastante restrito. Ele também tece vários argumentos sobre a dificuldade dos homens em experimentar a felicidade. Já, a infelicidade bem, essa é mais fácil de experimentar e nos ameaçar a partir de:

Em primeiro lugar do nosso próprio corpo condenado a decadência e à dissolução. Impossível evitar angústia e sofrimento decorrentes dessa ameaça constante.

Em segundo lugar, do mundo externo que pode se voltar contra nós a qualquer momento. Mesmo que tenhamos erigido um mundo cada vez mais tecnológico para nos proteger dessa contingência, continuamos vulneráveis não apenas às forças da natureza, mas também vulneráveis aos acidentes decorrentes dos aparatos construídos para nos proteger.

E por último, dos relacionamentos humanos, afinal, não somos criaturas dóceis e bondosas…, pelo contrário, quase sempre reagimos agressivamente quando ameaçados.

Já eu penso que a vida nos empurra pra felicidade de acordo com as decisões lúcidas que tomamos, e as boas oportunidades estarão sempre diante dos nossos olhos, e nunca é tarde para aprender, mudar, reconhecer, enfim.  E  quanto mais verdades, mais ilimitadas serão as nossas alegrias, as vitorias e as saudades, que diante da distância e o tempo continuam e continuam, trazendo a memória as velhas histórias, a não ser que seja tarde a ponto de não puder viver mais... tudo isso é para mim as maiores virtudes de quem as possui a vontade de querer Ser feliz e sendo, sempre surge uma nova chance de fazer a diferença buscando a  verdade, Lealdade, Reconhecimento e Gentileza. Por isso sempre me incomodo quando ouço a frase: “quero apenas ser feliz, viver, etc.”. Para mim, a palavra apenas desqualifica a minha liberdade em desejar algo maior e e o pior, ela transforma o meu sentimento em prisioneiro da tristeza.

Mas a minha fé, apesar de eficiente e tão próximo da felicidade verdadeira, não elimina a angústia da infelicidade, pois ela é apenas um dispositivo psíquico utilizado para neutralizar o eu fragmentado, aniquilado, até que se alcance algo melhor adiante… porque pessoas felizes aceitam melhor os cuidados de pessoas do que as que foram largadas à própria infelicidade.


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tom caet