Galerinha, Freud, no ensaio “O
mal-estar na civilização”, publicado em 1930, afirma que o prazer é um
sentimento que dura pouco, exige contraste, e costuma ser bastante restrito. Ele
também tece vários argumentos sobre a dificuldade dos homens em experimentar a
felicidade. Já, a infelicidade bem, essa é mais fácil de experimentar e nos
ameaçar a partir de:
Em primeiro lugar do nosso
próprio corpo condenado a decadência e à dissolução. Impossível evitar angústia
e sofrimento decorrentes dessa ameaça constante.
Em segundo lugar, do mundo
externo que pode se voltar contra nós a qualquer momento. Mesmo que tenhamos
erigido um mundo cada vez mais tecnológico para nos proteger dessa
contingência, continuamos vulneráveis não apenas às forças da natureza, mas
também vulneráveis aos acidentes decorrentes dos aparatos construídos para nos
proteger.
E por último, dos relacionamentos
humanos, afinal, não somos criaturas dóceis e bondosas…, pelo contrário, quase
sempre reagimos agressivamente quando ameaçados.
Já eu penso que a vida nos empurra
pra felicidade de acordo com as decisões lúcidas que tomamos, e as boas
oportunidades estarão sempre diante dos nossos olhos, e nunca é tarde para
aprender, mudar, reconhecer, enfim. E quanto mais verdades, mais ilimitadas serão as
nossas alegrias, as vitorias e as saudades, que diante da distância e o tempo
continuam e continuam, trazendo a memória as velhas histórias, a não ser que
seja tarde a ponto de não puder viver mais... tudo isso é para mim as maiores
virtudes de quem as possui a vontade de querer Ser feliz e sendo, sempre surge
uma nova chance de fazer a diferença buscando a verdade, Lealdade, Reconhecimento e Gentileza.
Por isso sempre me incomodo quando ouço a frase: “quero apenas ser feliz, viver, etc.”. Para
mim, a palavra apenas desqualifica a minha liberdade em desejar algo maior
e e o pior, ela transforma o meu sentimento em prisioneiro da tristeza.
Mas a minha fé, apesar de
eficiente e tão próximo da felicidade verdadeira, não elimina a angústia da infelicidade,
pois ela é apenas um dispositivo psíquico utilizado para neutralizar o eu
fragmentado, aniquilado, até que se alcance algo melhor adiante… porque pessoas felizes
aceitam melhor os cuidados de pessoas do que as que foram largadas à própria infelicidade.

