- 36,1% Direita, 38,9% Comunitarista
Liberalismo de Esquerda (Liberalismo Social): indivíduos
neste quadrante procuram defender a liberdade individual enquanto taxam o
mercado de forma a prover benefícios sociais àqueles que necessitam.
Eles tendem a se ver como indivíduos que buscam um equilíbrio entre
liberdade individual e justiça social, e são a favor do
multiculturalismo, governo secular e cooperação internacional. Enquanto
são tipicamente céticos em relação ao envolvimento do estado em questões
sociais, eles, mesmo assim, veem como atribuição legítima do Estado o
combate à discriminação e a garantia de tratamentos iguais.
Comunitarismo de Direita (Conservadorismo): indivíduos neste
quadrante procuram manter a ordem social e econômica tradicionais e
defender a soberania do estado. Eles tendem a se ver como defensores do
que os seus antepassados gostariam, favorecendo leis estritas de
imigração, valores tradicionais e forte poder militar. Enquanto eles
tipicamente veem um papel para o Estado em questões de segurança
nacional e cultural, eles tendem a ser mais céticos em relação ao
envolvimento estatal na economia.
Comunitarismo de Esquerda (Democracia Social): indivíduos
neste quadrante buscam promover soluções comuns para problemas sociais e
econômicos. Eles tendem a se ver como apoiadores de uma forma de
governo que freie o capitalismo em excesso e diminua a desigualdade em
virtude de uma economia mista e um estado social universal. Eles
procuram encorajar soluções coletivas, redistribuição econômica e
valores compartilhados por toda a sociedade por meio de uma democracia
participativa e do Estado.
Liberalismo de Direita (Libertarianismo): indivíduos neste
quadrante buscam defender a liberdade como o bem político primário, em
todos os aspectos. Eles tendem a se ver como firmes defensores da
liberdade pessoal e econômica e são profundamente céticos em relação a
planos e objetivos coletivos, em vez disso, salientam a capacidade do
indivíduo de tomar suas próprias decisões e da associação voluntária.
Eles tipicamente veem o Estado com menor importância do que os
indivíduos dos outros três quadrantes, acreditando na ordem social
espontânea do mercado.
Teoria e Abordagem
O Eixo Horizontal: Esquerda-Direita
No nosso teste, o eixo Esquerda-Direita é usado como uma
medida da visão econômica da pessoa que está realizando o teste , com a
Esquerda favorecendo intervenção estatal e regulação econômica enquanto a
Direita favorece a liberdade econômica e o capitalismo laissez-faire.
Isto significa que a Esquerda tende a apoiar os esforços do Estado para
restringir os aspectos que eles veem como injustos ou imorais do
mercado livre enquanto a Direita tende a pensar que transações entre
partes privadas devem, em princípio, ser livres da interferência do
governo.
Contudo, uma escala que cubra a posição da pessoa que está
realizando o teste em relação à economia não é suficiente para explicar
as variações que podem ser vistas dentro dos dois grupos. Portanto, nós
introduzimos um segundo eixo.
O Eixo Vertical: Comunitarista-Liberal
Todos os liberais partem da crença que defender as
liberdades individuais é mais importante que atender às necessidades da
sociedade. Liberais de Esquerda tendem a argumentar que o indivíduo não
pode fazer uso da sua liberdade formal sem alguma medida de educação ou
conforto material. Na sua visão, isso implica na necessidade de
redistribuição dos ricos para os pobres. Em contraste, Liberais de
Direita tendem a argumentar que taxar um indivíduo contra a sua vontade
de forma a promover benefícios sociais a outros constitui um ato de
coerção e, assim, uma violação da liberdade individual. Eles podem
apoiar a caridade e ajuda aos pobres, mas preferem que seja um ato
voluntário.
Todos os comunitaristas partem da crença que o bem-estar da
comunidade deve vir antes dos desejos idiossincráticos de indivíduos
específicos. Comunitaristas de Esquerda tendem a ter uma visão que pode
ser considerada como uma visão paternal da política, favorecendo uma
sociedade hierárquica e tendo uma visão severa das ameaças, onde
criminosos pertencem à prisão e poderes externos são dissuadidos por uma
defesa forte. Os ideólogos da Esquerda tendem a manter valores
liberais, pesquisas tendem a apontar para um segmento considerável de
eleitores que combinam uma visão esquerdista da economia com apoio a
valores mais tradicionais da comunidade e uma visão cética em relação à
imigração (Mudde, 2013).
Fraquezas e Limitações
Nosso teste foi projetado para cobrir a corrente principal
das opiniões políticas encontradas nas democracias ocidentais
contemporâneas. Isto significa que nosso teste possui dificuldades de
acomodar opinições extremas ou de nicho como anarco-sindicalismo,
anarco-capitalismo, socialismo ortodoxo e fascismo. Embora existam
testes de coordenadas políticas que intentam cobrir toda esta gama de
opiniões dentro dos, relativamente simples, quadrantes definidos pelo
nosso esquema, as consequências práticas (como plotar líderes centristas
e democráticos próximos a Hitler e Kim Jong Un) acabam por confundir
mais do que informar.
Outra questão é que, enquanto ambos os eixos são igualmente
importantes na teoria, as realidades da política parlamentar tendem a
mostrar que, na prática, alianças são raramente formadas entre a
Esquerda e a Direita. Embora Liberais e Comunitários devam, em
princípio, ser capazes de formar alianças contra os seus homólogos, isto
quase nunca acontece na política atual. Assim, enquanto o eixo
Esquerda-Direita tem sido muitas vezes considerado antiquado, ele
permanece como a escala mais importante na política Americana e
Européia.
Referências
Mudde, C.: 'Three decades of populist radical right parties
in Western Europe: So what?' European Journal of Political Research,
Volume 52, Edição 1, Janeiro 2013
