12/06/2018

Retificação subjetiva




Não é fácil lidar com a soberba, a inveja e a preguiça de ninguém. Como psicanalista cristão, devo aqui apenas faze-los se reconhecer e reconhecer nos outros as virtudes e limitações da fé cristã, e principalmente estar comprometido com o evangelho para atingir as metas que a ele demanda de maneira sustentável, equilibrada e amorosa.

Só que alguns cristãos, para camuflar os seus medos e inseguranças, adotam um disfarce de envaidecimento e petulância de fé. Inclusive, muitos deles com esta característica, sem notar, transmite aos outros que são melhores e de alguma maneira superiores, mas que no fundo dão pouco de si mesmos.

Infelizmente, vejo em muitos religiosos que há uma sensação permanente de autossuficiência com a realidade, quanto à proteção, abrigo, mas excedem neles uma carência com as coisas divinas e o conhecimento… também vejo com frequência no cotidiano deles, que certos comportamentos parecem só emoções. Algo que afeta tanto quem as sente, como a quem a elas se dirigem. Até mesmo, falta para muitos deles, entenderem que Deus pode dar tudo, mas não sacia aquele desejo mais profundo da carne na qual não se compreende bem o seu significado.

Não parte de mim, responsabilizar ninguém por suas emoções e maus comportamentos, pois compreendo que qualquer atitude emocional de certo modo, é considerada um mecanismo de defesa principalmente daqueles com baixa autoestima e que para compensar recorrem à sobrevalorização de si mesmo, o que tende à soberba, preguiça e inveja. Em relação a soberba, alguns fatos são difíceis de esconder:

Em primeiro lugar, soberbo é aquele que precisa de alguém que se submeta, que se assoberbe. E se você checar no dicionário ou qualquer texto ilustrativo a respeito do assunto verá que o significado revela um sentimento de pretensão de superioridade sobre as demais pessoas, o que produz manifestações ostensivas de arrogância, por vezes sem fundamento algum em fatos reais.

Para ilustrar a soberba, arrogância, orgulho, presunção, egoísmo basta ver certos cristãos, por exemplo, que de se julgam e se comportam como alguém para quem o mundo sempre deve alguma coisa, e os tais estão acima de qualquer autoridade, e que detestam dar explicações e não suportam ser questionados, pois acreditam que todos devem pensar e sentir como ele pensa e sente,  mas que nunca perdoa nada, a não ser o que basta a si mesmo.

Para definir a preguiça, digo que o preguiçoso é aquele que precisa de cúmplices, patrocinadores, ou seja, precisam de alguém que os complete. Li um artigo que dizia que “a realidade está brincando de esconde-esconde comigo, mais um motivo para eu voltar ao sono”. Portanto, preguiçoso parece não saber de si, pois o seu maior problema é a sua censura a tudo.

Para definir a inveja, fico com Bertrand Russell, in "A Conquista da Felicidade” que escreveu que De todas as características que são vulgares na natureza humana a inveja é a mais desgraçada; o invejoso não só deseja provocar o infortúnio e o provoca sempre que o pode fazer impunemente, como também se torna infeliz por causa da sua inveja.

Como cristão, humanamente não tenho respostas para tudo, e talvez, elas nem existam..., mas se uma tal emoção toma proporções desmedidas sobre mim, ela torna-se fatal a todo o mérito alcançado e até mesmo ao exercício do talento mais excepcional que recebi, a minha fé.  Entretanto, por parte de Jesus, que é misericordioso, as possíveis respostas as minhas dúvidas só Ele pode desenvolver. Então, Em vez de você sentir prazer com o que possui ou sofre com o que os outros têm, se puder, observe o mundo ao seu redor, quanta fofoca, quanta confusão, quanta corrupção, armações chegando mesmo a ofensas e agressões.

E não prive os outros por causa das suas desvantagens, para assegurar outras vantagens para si próprio. Saiba que o problema está na nossa reação, resposta, mesmo reagindo de forma errada ou certa. e por fim, saiba que você é o profeta do seu próprio sofrimento.



“Porque de dentro, do coração de uma pessoa, saem os maus pensamentos, as imoralidades sexuais, os roubos, os homicídios, os adultérios, a avareza, as maldades, o engano, desejos lascivos, inveja, difamação, orgulho e insensatez. Todas estas más coisas procedem de dentro, eles são o que contamina você.” Marcos 7:21-23



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