24/06/2018

Viva la vida!


O ateísmo é a falta de crença em um princípio teístico que tem, em um grau ou outro, algum tipo de agência em si e por si mesmo. Isso não significa, no entanto, que os ateus sejam incapazes de experiências ou crenças espiritualmente significativas.

Estritamente falando, Não se pode provar que Deus existe. Mas se ele existe, o crente ganha tudo e o descrente perde tudo. Se Deus não existe, o crente nada perde e o descrente nada ganha. Portanto, há tudo a ganhar e nada a perder ao acreditar em Deus.

Mas quando você entende a possibilidade estatística, não apenas de nossa existência, mas do próprio universo, passa a sentir o temor que é considerado uma marca da experiência espiritual do crente.

E graças aos ateus, podemos olhar para as estrelas e se sentir intimidado, independentemente de sua crença religiosa; graças a eles podemos ler sobre os nossos detalhes do DNA mitocondrial e sentir incrível admiração pelos intrincados laços entre reinos e espécies inteiros. Com eles aprendemos a acreditar que o universo é perfeitamente maravilhoso sem qualquer tipo de duvida, pois, o próprio entendimento científico deles nos convida à sensação de reverenciar e admirar a existencial de um ser divinal, tal qual qualquer religião define geralmente.

O problema da ciência é que ela não consegue separar a espiritualidade da religião em geral, apesar de serem coisas sobrepostas, mas que são bem diferentes, veja:

 Espiritualidade é a vida interna, as experiências, o relacionamento direto entre si e a compreensão sobrenatural (o que não se explica) do universo. Já a religião, por outro lado, é principalmente a estrutura externa de práticas, rituais, observâncias, etc., e que pode incluir alguma forma de fé (em qualquer coisa) sem necessariamente explorar o relacionamento de uma pessoa com o objeto dessa fé.

alem disso, tem o paganismo tanto cientifico quanto religioso que utiliza a magia e deuses como metáforas. Eles podem alegar que os deuses são aspectos de nós mesmos e/ou arquétipos psicológicos, mas se isso não for fé.... Enfim, ambos fazem teatros da parte externa da sua concepção de forma plenamente consciente; fazem rituais comuns para facilitar as experiências espirituais. E grande parte desse ritual é apenas desencadeamento e condicionamento psicológico, cheios de metáforas e  mito para denotar um significado emocionalmente satisfatório.

cientificamente, Deus pode não ser literal, mas isso não significa que crer  nele não tenha efeito legítimo em nossa compreensão de nós mesmos e de como os seres humanos concebem e interagem com o mundo ao seu redor.

A ciência de certo modo, cria uma linha entre admiração intelectual e o tipo de admiração experiencial que geralmente atribuímos a espiritualidade, que as vezes nem sempre é clara e quase sempre é subjetiva de qualquer maneira, quanto mais aprendemos, mais percebemos o pouco que realmente sabemos das coisas, e quão incrível e limitado é o conceito científico.

Pessoalmente admiro a ciência porque ela ultrapassou em muito a religião e como nenhuma religião importante ousou analisar a ciência, e dependendo de sua definição de fé espiritual, seja ateísta ou pagão, você pode argumentar ser um humanista em alguns aspectos... Mas concluo dizendo que:

O Universo é muito mais grandioso, mais sutil, mais elegante e maior do que os nossos conceitos humanos indicam. Viva la vida!

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tom caet