Há tempo, tenho notado que as pessoas não são
muito gentis. E essa minha curiosidade me levou a observar que a vida
requer de todos nós um equilíbrio entre nossas escolhas e suas consequências.
Ao mesmo tempo, acredito que a maioria de nós,
traz bondade dentro do coração só que não a liberamos. Então, exatamente o
que está acontecendo?
Como cristãos, sabemos que Jesus brota nos corações
e renasce em nós trazendo a esperança de ver as pessoas fora das ruas, com pés
limpos e corações cheios de sonhos! Taí o ponto de tudo isso: é que a bondade ensinada
por Ele faz a diferença.
Depois de caminhar o dia inteiro, procuro
aliviar a minha dor ciática descansando seja em um banco de madeira, calçada ou
cama que a meus olhos parece o lugar mais confortável do mundo!
Nesse momento, não uso o tempo só para descansar,
mas para analisar o que observei nas pessoas. Pessoas que correm contra o tempo
e que o tempo corre ainda contra eles. Reflito no quanto o tempo é
desonesto com quem trabalha, e no quanto ele abocanha a infância, ilude a adolescência
e despreza a velhice.
Acontece que no campo missionário, geralmente
caminhamos um dia inteiro pelas grandes ruas das cidades... Conhecemos mercados, lojas, museus, avenidas e
sempre observamos as pessoas nos lugares que passamos. Vemos elas passando
rápido nos passos de quem caminha, quase correndo, indo em busca de coisas
efêmeras… e creio eu, que a maioria ignora a realidade e não possuem o relógio que
marque o tempo perdido já que o mesmo tempo corre para encontrar o seu próprio fim...
Não demorou muito para que eu percebesse que
muitos dessas pessoas têm comportamentos indelicados. Tem falta de cortesia
básica, são depreciativas e, pior ainda mais preocupante: São julgadoras. Eu
sei que parece clichê, parece simplista, mas a verdade, por mais óbvia que
possa parecer, às vezes precisa ser dita com rigor. Como cristão, você é
gentil?
Pessoalmente, minha definição favorita de
gentileza vem de Aristóteles; ele disse que gentileza é “ajuda para alguém
que precisa, não em troca de nada, nem para a vantagem do próprio ajudante, mas
para a ajuda da pessoa”.
Isso está muito longe da atitude de “o que
você fez por alguém ultimamente?” Que ouvimos falar com muita frequência.
Meu desafio é estar ciente de como é ser gentil
ou não, Percebo o quanto sou preconceito com a vida dos outros e quando finjo
não ver que tenho muito que fazer, aprender a protestar com gentileza e torná-la
uma escolha consciente todos os dias na busca de um mundo mais justo, e pela
construção de um Reino em cima de pilares de igualdade, fé, esperança e amor.
Sei que o caminhar é lento, onde a vida é curta
e rapidamente envelhece, mas o importante é não parar.

