... Aquele a quem eu der este
pedaço de pão molhado no prato...
Quem recebe o pão mergulhado no
prato é o traidor. Ao ler isso na escritura, imediatamente por intuição, senti
um calor significativo em minha alma. Percebi
o quanto é trágico saber que alguém que andou tão perto de Jesus perdeu a
oportunidade de conhecer a verdade E fazer parte do legado de amor duradouro dele.
Tomado por esse sentimento de
convicção e desconforto, também emergiu em mim em tempo real a ideia de como seria
estar na parte da história, no lugar, no momento e nas últimas horas da vida de
Jesus e participar do sofrimento dos seus seguidores. Impressionado, me indaguei
de modo expressivo como um grande aviso:
Será que eu seguiria o caminho
cristão mesmo sob forte ameaça de morte como eles? Será que por ser cristão, eu
estaria pronto para a traição, humilhação, desrespeito e me manteria firme no caminho?
Será que quando as coisas ficarem mais difíceis e as pessoas instituírem a perseguição,
acusação e condenação, eu ficarei firme nos caminhos de Jesus?
Difícil responder, mas como
crentes em Jesus Cristo, devemos estar sempre atentos para continuar buscando a
vontade de Deus para nossas vidas e não para nossa própria vontade egoísta. Certamente,
Judas permaneceu comprometido com seus próprios planos e desejos egoístas, em
vez de seguir Jesus de todo o coração. Nesse caso, há pelo menos uma lição
poderosa a ser colhida do que sabemos da vida de Judas:
Tiago 1: 14-15 nos diz: “Mas
cada pessoa é tentada quando é atraída e atraída por seu próprio
desejo. Então o desejo, quando concebeu, dá origem ao pecado, e o pecado,
quando é plenamente desenvolvido, traz a morte”.
Portanto, É possível fingir que o
lado de fora é o que não é do lado de dentro, ou seja, pode-se frequentar templos
regularmente e ter comunhão com os demais crentes, jejuar, dizimar e até se batizar,
mas nunca ser verdadeiramente um seguidor de Jesus. Pode-se também agir
como um cristão bondoso, honesto, mas sem nunca experimentar a verdadeira
salvação. Pois quando eu não me envolvo no trabalho duro de amar meu próximo
- digo todos - e quando me recuso a
perdoar como fui perdoado um dia ou quando me sinto confortável em meu
privilégio e piso em quem não tem ou ignoro minha cumplicidade em apoiar sistemas
corruptos, sejam religiosos e políticos de opressão ao pobre, corro o risco de
me tornar um traidor da cruz de Cristo, ou seja, eu pego o pão que foi
mergulhado no prato....
Contudo, se estivermos
dispostos a apresentar nossos
corpos como sacrifício vivo, santo e aceitável a Deus, que é nosso culto
espiritual” (Romanos 12: 1) certamente estaremos a salvo da
tentação "dos desejos da carne e dos desejos dos olhos e da
soberba da vida" (I João 2:16), senão, cometeremos o mesmo ato trágico de
Judas e receberemos o pão mergulhado no prato.

