14/04/2019

Lucas 15. 11-


Mensagem direta

Ante a parábola do filho pródigo senti a necessidade de me calar, sabe porquê? Porque ela nos    envolve e nos interpela a dois atos:
Em primeiro lugar, a nossa fuga inconsequente e dolorosa de Deus. De nada adianta   querermos saciar nossos desejos, fome, conhecimento sem contar com a misericórdia de Deus, sua virtude e amor que ressuscita...

Em segundo lugar, carregar o sentimento de culpa, subentendido como angústia daquilo que não cumprimos: as exigências divinas; o orgulho, a idealização do “eu sou capaz ou tudo posso” para atender às expectativas de uma suposta autoridade.

Certamente, não é fácil viver nessa luta pela auto-afirmação do ser e seguir um itinerário à procura da autenticidade, da verdade, da salvação. Por isso vejo que seria natural, pra mim, essa necessidade de guardar silêncio para me encontrar e me confrontar com a verdade.

O motivo desta conclusão, é que cheguei numa fase da vida onde não sinto necessidade de impressionar ninguém – se é que um dia eu fiz isso... e pelo que vivo, não tenho por habito, me desculpar pela minha intensidade de sentimentos nem pela profundidade dos meus conhecimentos, dos meus bons e maus momentos. Se as pessoas ao meu redor não estiverem dispostas a transbordar junto comigo disso tudo, tudo bem. Se gostarem de mim do jeito que sou, ótimo. Senão, dane-se.

De certo modo, como cristão, devo reconhecer que Deus nos oferece pessoas que vão gostar da gente, por outro lado, permitirá aquelas que vão nos odiar, humilhar, chatear mesmo sendo a melhor pessoa do mundo com elas para nos amadurecer.

E com elas poderemos aprender que tudo tem a hora certa para acontecer. E, na maioria das vezes, aquilo que você mais deseja só vai acontecer quando você menos esperar. No entanto, a parte mais difícil é lidar com o sentimento em que você se sente vazio, mas não necessariamente triste, onde as atitudes delas também te irritam. Mesmo assim devo agradece-las, porque hoje eu conheço exatamente o valor da reciprocidade.  Foi através delas que adquiri o entendimento de que não devo me contentar com menos do que ofereço. Através delas aprendi que temos que renunciar para nos livrarmos de quem não está nos fazendo bem.

Sem contar que todos às vezes ficamos tão envolvidos em nós mesmos, em nossos pequenos egos, que perdemos de vista o sentido maior da vida, da fé e de Deus, obviamente, como resultado, atropelamos a humildade, a solidariedade, a compaixão, a generosidade, a simplicidade.... Estar muito envolvidos em nós mesmos, na verdade restringe nosso alcance de percepção e ação humana, paradoxalmente, também reduzimos nosso potencial espiritual. 

E por não viver esses princípios, muitos passam a tratar mal as outras pessoas. E isso em si, já é um sinal claro de que mesmo buscando as coisas de Deus, sempre estaremos presos em nós mesmos, como tantas pessoas ambiciosas, soberbas, egocêntricas estão.... 

A principio,  Deus pode perdoar todas essas pessoas, pois eu acredito em segunda chance, porém, não acredito que todas a mereçam. Porque algumas trazem como marca registrada um distúrbio de personalidade: o narcisismo como sua grandiosidade. Sim, a soberba dele abriga um forte senso de direito, de fantasias e auto engrandecimento, além da necessidade de admiração.

E em casos mais sérios, elas podem ser invejosas, antipáticas e prontas para agredir, culpar os outros pelo motivo de suas fracassadas ambições emocionais ou financeiras. Inclusive, muitos delas vivem como predadores sociais travestidos de encantos, meiguice, bondade..., mas são completamente carentes de consciência e sentimento pelos outros. Porque egoisticamente tomam o que querem e fazem como bem entendem, violando as normas e expectativas bíblicas e sociais sem o menor sentimento de culpa ou arrependimento.

A chave é encontrar o equilíbrio certo e dinâmico, ser seguro em si mesmo e, ainda assim, ser capaz de dissociar-se do envelope em que nascemos e reconhecer que erramos, que aprendemos, que esquecemos. Porém, dificilmente a gente irá desapegar do vínculo dessas pessoas, e sim, do que sentimos por elas. E até que aconteça uma total separação não seja tão rápido, porque é um processo demorado, difícil. E isso poderá te causar muito sofrimento. Mas se acontecer, particularmente, recomendo que guarde isso pra sua vida:

Jamais se culpe quando elas acharem que você é chato, metido, falso, mentiroso, ladrão.... essas pessoas podem achar o que quiser, contanto que isso não mude quem você realmente é.



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tom caet