Num domingo de manhã, num dia
de calor sufocante, uma família desgrenhada, visivelmente desleixada,
estava desamparada e obviamente aflita na beira de uma estrada.
A mãe estava sentada numa mala
velha e surrada, despenteada, com a roupa toda amarrotada e com um
olhar vítreo segurando nos seus braços um bebé malcheiroso, quase nu
e que chorava convulsivamente. O pai estava com a barba por desfazer, usava um
fato de macaco cheio de nódoas e tinha um olhar desesperado enquanto tentava
segurar outras duas crianças. Ao lado deles, via-se um automóvel a cair de
podre e que acabara de dar o último suspiro.
Pela estrada fora, a caminho da
igreja, veio um automóvel guiado pelo pastor da igreja local. E, embora o pai
da família fizesse sinais frenéticos, o pastor não poderia deixar os membros da
sua igreja à espera, de modo que fingiu não ver a família.
Logo a seguir, veio outro
automóvel, e mais uma vez o pai acenou freneticamente. Mas o condutor era por
um Padre que levava um importante empresário ateísta do local e estava atrasado
para uma reunião com os políticos, jornalistas e artistas, numa cidade próxima.
Ele também agiu como se não os tivesse visto, e manteve os olhos fito na
estrada à sua frente.
Aproximou-se outro carro,
conduzido por um missionário cristão, que não media palavras contra o ateísmo e
pouco se importava com as religiões, em toda a sua vida. Quando viu a aflição
da família, parou, mandou-os entrar, levou-os para o hotel local e pagou uma
semana de estadia enquanto o pai procurasse um emprego. Além disso, pagou as
despesas do aluguer de um carro para o pai poder procurar trabalho e deu
dinheiro à mãe para comprar alimentos e roupa nova para toda a
família.
Ele é o bom samaritano.

