O aviso de Paulo de que "má
companhia corrompe o bom caráter" (1Cor 15,33) nesses últimos dias tem me
produzido um acorde de bom senso e embora alguns possam me cansar um pouco,
isso realmente devo aplicar ao resto da vida.
Sei que a santidade de Jesus tem
sido contagiante em nossas vidas. Decisivamente, busco sua aceitação, mas
também uma experiência diária com Ele através da oração. Por outro lado, também
estou dolorosamente consciente de que sou moldado pelo mundo em que vivo; é um
mundo "mofado", cheio de diferentes personalidades que precisam de
abordagens diferentes. Nele há os introvertidos que levarão tempo antes de se
abrirem, enquanto os extrovertidos facilmente apresentados florescerão. E não
há lugar mais solitário do que uma multidão onde todos fingem se
conhecer.
Infelizmente, falta a muitos
cristãos expressar uma sensibilidade hospitalar genuína preenchida com o amor de
Cristo nesse mundo. Inclusive, há uma das expressões de qualidades humanas que
são genuínas que pra mim, traça uma linha tênue nas sugestões de ação na prática
cristã. falo da hospitalidade.
A hospitalidade pode não parecer significativo
na vida de um discipulado, mas tem um significado cultural muito maior na vida
de um discipulador. Quem nos receberá?
Certamente as igrejas pouco tem
pretendido se adequar a essa expressão devido a cultura fast-food e sua rarificação
litúrgica que muitas vezes propõem manter exclui os desafortunados....
Sei que é algo que leva tempo
para entender, mas ser hospitaleiro é profundamente relacional e requer uma curiosidade
carinhosa com o próximo. Apesar de muitos serem enervantes as vezes, até confusos,
a maioria é surpreendente, corajoso, inteligente...
Mas é no campo missionário que descobrimos
que a "hospitalidade" é uma das marcas mais importante e até
definidora do ministério de Jesus, que além de revelar o seu primeiro ato de
amor (forasteiro), nos guia para uma fé autêntica
e ainda nos faz olhar com bons olhos às coisas de Deus para a humanidade. A exemplo da parábola de O Bom Samaritano que oferece
algumas pistas sobre possíveis freios de boas-vindas a Cristo e o seu amor
infinito.
Infelizmente, por onde passo, vejo
muitos crentes ocupados demais se concentrando na experiência de adoração e se
esquecendo das necessidades que algumas pessoas têm. Será que acham serão
contaminados por esses "missionários, peregrinos, samaritanos, forasteiros"
(como o homem ensanguentado)?
Jesus até contrasta essa
abordagem com o exemplo de João Batista:
Porque veio João sem comer nem
beber, e disseram: 'Ele tem demônio'. Veio o Filho do homem, que come e bebe, e
dizem: 'Eis aí um comilão e um bêbado, amigo de coletores de impostos e
pecadores'. Mas a sabedoria é provada por suas ações. (Mat 11.18-19)
Pessoalmente, como o bom samaritano,
profiro que a fé tem braços e pernas que vai e faz e se envolve com esse tipo
de acolhimento (Hospitalidade) que Jesus endossou nos evangelhos (veja Mt 9,10-11,
Marcos 2,15-16, Lucas 5,29-30):
Ele "comeu e bebeu com os
pecadores" e ainda teve que enfrentar as acusações de impropriedade seguidamente.
Inclusive, Jesus responde a estas acusações explicando que este tipo de
associação com os pecadores era um marca e propósito central de seu ministério,
para 'não chamar os justos, mas os pecadores' (Mt 9.13 , Marcos 2.17 ) sem se esquecer
do 'arrependimento' ( Lucas 5.32 ).
Realmente, não há dúvida de que a
hospitalidade (ou melhor, sua aceitação) é a ação sábia de Deus no contexto
atual. Embora existam outras coisas notáveis a serem observadas sobre a ação
de Jesus, é no Sermão da Montanha, que ele eleva o nível do que conta como
"justiça" em vez de abaixá-lo.
Digo para os crentes legalistas
endurecidos é claro, que a manutenção da caricatura cristã da igreja “empresa”
que os mantém não é a coisa mais importante para Deus. Vocês são rápidos em
criticar a nossa abordagem “arrogante”, mas vocês são vistos como fariseus, um
oponente que sem esforço serão eliminados.
Certamente, em qualquer lugar o Missionário
demonstrar uma ousada apatia as diferenças sociais´, políticas e até religiosas.
Mas ele não será indiferente ao pecado e tal qual Jesus que elogiou os fariseus
por seus ensinamentos, repreenderá as ações de quem não pratica o que prega
(Mat 23.3).
E tem outra coisa, Jesus não
abandona as 'regras'. Regras e regulamentos podem expressar santidade, mas é quando
seguimos o seu Espírito que nos tornamos santos. Então fique atento se está no
molde do mundo (teologia) ou de Deus (discernimento). No tempo com pecadores (festas)
ou tempo com Jesus (oração).
Todos nós precisamos pertencer, ser parte do
todo e ser valorizados em tal coisa. Talvez precisemos nos afastar, refletir e
pensar novamente sobre como expressamos essa hospitalidade aos outros, mas temos
que ter experiência com Deus em Cristo pelo seu Espírito aplicarmos em nossa
comunidade de fé em geral.

