11/02/2018

Lógica em choque




Seria contraditório tentar conciliar religião e psicanálise?

Em 1927, Freud publicou um ensaio intitulado O futuro de uma ilusão, no qual afirma ser a religião “a neurose obsessiva universal da humanidade” e culpada pela decadência intelectual de parte dos seres humanos. 

Certamente não podemos negar o conhecimento ou os benefícios que a psicanálise trouxe para nós, e viemos ao longo dos anos, desmistificando muitas coisas. Mas há muitos especialistas e religiosos que ainda estão convencidos de que não podem acreditar, ao mesmo tempo, na verdade da religião e na verdade da psicanálise, sem incorrerem em autocontradição.

Uma delas é dizer que na psicanálise não se pode professar outra filosofia ou religião porque é profundamente materialista, e a religião não  se pode de forma alguma negar a fé o seu principal sustento, porém esses experts sequer imaginam que  podem não ter certeza suficientemente entre uma coisa e outra, ou o seu espírito é de tal natureza que se acomoda às contradições, ou ainda talvez porque não são bastante críticos para se aperceberem de tais contradições? 

Não serei desonesto em dizer pra eles que tanto na fé quanto na análise, não trabalhamos no que sabemos, e isso para nós, faz muito sentido, pois quem trabalha para tirar do conhecido mais que um diamante de conhecimento, não creem em nada porque para crer em algo, necessita mergulhar no desconhecido... 

Sabemos que a religião falsa de alguma forma sempre ensina que o espírito dentro de nós é Deus e as práticas delas para a psicanálise vão ajudar-nos a perceber e a entender o porquê disso, mas Não serei aqui um animista que acredita que cada um é um espírito poderoso que pode ajudar ou prejudicar devendo ser adorados, temidos ou de alguma forma reconhecidos por isso. Porque esta é a mesma mentira que Satanás tem propagado desde o jardim do Éden, quando tentou Adão e Eva ao dizer-lhes: "Vós sereis como Deus" (Gênesis 3:5). Esse pecado Deus odeia especialmente porque rouba a glória que é legitimamente Sua. E Se a Bíblia afirma claramente que há um só Deus e que tudo o mais, não será qualquer religião ou filosofia que ensinará que há mais de um deus. Além disso, a Bíblia proíbe estritamente as práticas animistas.

Por definição, O que é verdade na psicanálise não anula as verdades do cristianismo, por exemplo, pois há um problema conceitual entre as duas práticas: já que Freud cria que a religião estava para a civilização assim como a neurose estava para o indivíduo, nenhuma pessoa que pratica uma atividade religiosa dificilmente aceitará esse tipo de definição. 

E da mesma forma que a ciência diz ter ido a Lua, etc., a religião está há mais de 2000 anos repetindo a mesma história, ou seja, ambas oscilam na sua veracidade e para entender a vida segundo os religiosos deve-se ler a bíblia e na psicanálise, Freud. 

Infelizmente, ambas estão praticando uma chantagem terapêutica exclusivista e selvagem, do tipo que só eles sabem que há algo que inspira o medo e o terror e deve ser explorado na vida de cada indivíduo. Só não sabem o que. E com a apologia ao medo, o máximo que despertarão em um indivíduo seja numa igreja ou num consultório, é um comportamento vil, teatral, ou seja, comportamentos que poderiam perfeitamente ser diagnosticados ora como transtornos histéricos, ora como possessão espiritual ou vice-versa. 

Portanto, não se deve desrespeitar um psicanalista religioso, e nem pregar que quem não aja de acordo com o ponto de vista da psicanalise, estará causando o mesmo que os jesuítas fizeram com os índios... ou seja, causaram um choque de conflitos e decorrentes suicídios.

Realmente a religião pode ser uma neurose civilizatória, mas esse termo confunde, pois, Neurose é um termo técnico psicanalítico que não corresponde ao senso comum de uma religião, portanto, é uma coisa muito mais comum do que parece... e é no mínimo revoltante ver tal comparação como se ela fosse uma doença. Por isso essa ideia que um cristão ter raiva da psicanálise é boba demais.

De um modo geral A religião é mais profunda e complexa do que a ciência e compreensão articulada pelas ideias de Freud. Se observarmos bem, parece que ele tirou os conceitos de 'Superego, Ego e ID' da bíblia.... A influência cristã nele é gritante. Porque está na cara que ela é muito semelhante à ideia cristã do Espírito-Alma-Corpo. O que mostra que realmente não existe muitas incompatibilidades. E outra, mesmo que Freud considerasse a religião como neurose, ele nunca foi antirreligioso, pois para ele, a religião era necessária para fundamentar a ordem social. É bom lembrar que Freud era judeu - era de uma família tradicional católica.

Espero que tanto a psicanálise quanto a religião quando deparada com alguma questão que direciona para o criador, não prefiram ver um abismo humanamente "explicável” para frear quem tem fé e se por acaso ficarem diante deste monstro celeste e assustador, não distorçam a sua mente numa inversão espiritual, mas que supram as carências sofridas na infância da imagem negativa de um Pai visualmente ausente, mas que está emocionalmente presente!

 Porque isso nem Freud explica...

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tom caet