Seria contraditório tentar
conciliar religião e psicanálise?
Em 1927, Freud publicou um ensaio
intitulado O futuro de uma ilusão, no qual afirma ser a religião “a neurose
obsessiva universal da humanidade” e culpada pela decadência intelectual de
parte dos seres humanos.
Certamente não podemos negar o
conhecimento ou os benefícios que a psicanálise trouxe para nós, e viemos ao
longo dos anos, desmistificando muitas coisas. Mas há muitos especialistas e
religiosos que ainda estão convencidos de que não podem acreditar, ao mesmo
tempo, na verdade da religião e na verdade da psicanálise, sem incorrerem em autocontradição.
Uma delas é dizer que na
psicanálise não se pode professar outra filosofia ou religião porque é
profundamente materialista, e a religião não
se pode de forma alguma negar a fé o seu principal sustento, porém esses
experts sequer imaginam que podem não ter
certeza suficientemente entre uma coisa e outra, ou o seu espírito é de tal
natureza que se acomoda às contradições, ou ainda talvez porque não são
bastante críticos para se aperceberem de tais contradições?
Não serei desonesto em dizer pra
eles que tanto na fé quanto na análise, não trabalhamos no que sabemos, e isso para
nós, faz muito sentido, pois quem trabalha para tirar do conhecido mais que um
diamante de conhecimento, não creem em nada porque para crer em algo, necessita
mergulhar no desconhecido...
Sabemos que a religião falsa de
alguma forma sempre ensina que o espírito dentro de nós é Deus e as práticas delas
para a psicanálise vão ajudar-nos a perceber e a entender o porquê disso, mas Não
serei aqui um animista que acredita que cada um é um espírito
poderoso que pode ajudar ou prejudicar devendo ser adorados, temidos ou de
alguma forma reconhecidos por isso. Porque esta é a mesma mentira que Satanás
tem propagado desde o jardim do Éden, quando tentou Adão e Eva ao dizer-lhes:
"Vós sereis como Deus" (Gênesis 3:5). Esse pecado Deus odeia especialmente
porque rouba a glória que é legitimamente Sua. E Se a Bíblia afirma claramente
que há um só Deus e que tudo o mais, não será qualquer religião ou filosofia
que ensinará que há mais de um deus. Além disso, a Bíblia proíbe estritamente
as práticas animistas.
Por definição, O que é verdade na
psicanálise não anula as verdades do cristianismo, por exemplo, pois há um
problema conceitual entre as duas práticas: já que Freud cria que a religião
estava para a civilização assim como a neurose estava para o indivíduo, nenhuma
pessoa que pratica uma atividade religiosa dificilmente aceitará esse tipo de
definição.
E da mesma forma que a ciência diz
ter ido a Lua, etc., a religião está há mais de 2000 anos repetindo a mesma
história, ou seja, ambas oscilam na sua veracidade e para entender a vida
segundo os religiosos deve-se ler a bíblia e na psicanálise, Freud.
Infelizmente, ambas estão
praticando uma chantagem terapêutica exclusivista e selvagem, do tipo que só
eles sabem que há algo que inspira o medo e o terror e deve ser explorado na
vida de cada indivíduo. Só não sabem o que. E com a apologia ao medo, o máximo
que despertarão em um indivíduo seja numa igreja ou num consultório, é um
comportamento vil, teatral, ou seja, comportamentos que poderiam perfeitamente
ser diagnosticados ora como transtornos histéricos, ora como possessão espiritual
ou vice-versa.
Portanto, não se deve desrespeitar
um psicanalista religioso, e nem pregar que quem não aja de acordo com o ponto
de vista da psicanalise, estará causando o mesmo que os jesuítas fizeram com os
índios... ou seja, causaram um choque de conflitos e decorrentes suicídios.
Realmente a religião pode ser uma
neurose civilizatória, mas esse termo confunde, pois, Neurose é um termo
técnico psicanalítico que não corresponde ao senso comum de uma religião,
portanto, é uma coisa muito mais comum do que parece... e é no mínimo
revoltante ver tal comparação como se ela fosse uma doença. Por isso essa ideia
que um cristão ter raiva da psicanálise é boba demais.
De um modo geral A religião é mais
profunda e complexa do que a ciência e compreensão articulada pelas ideias de
Freud. Se observarmos bem, parece que ele tirou os conceitos de 'Superego, Ego
e ID' da bíblia.... A influência cristã nele é gritante. Porque está na cara
que ela é muito semelhante à ideia cristã do Espírito-Alma-Corpo. O que mostra
que realmente não existe muitas incompatibilidades. E outra, mesmo que Freud
considerasse a religião como neurose, ele nunca foi antirreligioso, pois para
ele, a religião era necessária para fundamentar a ordem social. É bom lembrar
que Freud era judeu - era de uma família tradicional católica.
Espero que tanto a psicanálise
quanto a religião quando deparada com alguma questão que direciona para o
criador, não prefiram ver um abismo humanamente "explicável” para frear quem
tem fé e se por acaso ficarem diante deste monstro celeste e assustador, não
distorçam a sua mente numa inversão espiritual, mas que supram as carências sofridas
na infância da imagem negativa de um Pai visualmente ausente, mas que está emocionalmente
presente!
Porque isso nem Freud explica...

