01/04/2021

Lucas 7,7 - A bíblia ou as filosofias do absurdo?

 


Quase sempre fico abarroado por perguntas desnecessárias, ainda que importantes. Uma delas é “qual o sentido da vida?”

Como cristão, não religioso, sempre tento explicar de acordo com a minha fé, num contexto de bíblico de expansão missionária essas duvidas pessoais. Já como terapeuta cristão, procuro responder essa pergunta, apesar da conotação bíblica [embora, tal resposta só seja possível se dada através da revelação bíblica], responder num contexto de literalidade e integração filosófica. Pois entendo que o bom cristão, consciente, sabe que desde o início da humanidade, o homem - pensa, logo existe, ou seja, ele vem se preocupando em querer responder se a vida deve ter um sentido para ser vivida. 

Só não faço isso num diagnóstico severo (certo/errado) ou num regime de mobilidade generalizada (pode/não pode).

Em cristo, aprendi que a densidade da Palavra quando é silenciosa em Deus, o homem não questiona. E quando alguém a torna exigente, porventura inevitável, comunicá-la e usar como linguagem, palavras e até usar a voz cientificamente, torna seu sentido evitável.

E sempre que os leigos, politeístas, ateus e seus puxadinhos questionam que o meu pensamento é  bíblico religioso e não cientifico, digo-lhes que isso não elimina o respeito pelas áreas cientificas/culturais mundanas. Algo que contrariamente eles por vezes virtual, porém, real, e  com efeito, me agridem hipocritamente. Mas afinal, “qual o sentido da vida”?

Como já disse antes, a resposta está na Bíblia, pois, ela revela a nós, além da necessidade de conhecê-la, inclui-la como regra de fé e prática fundamental para uma vida plena.  Penso que a vida só perde o sentido para quem a ignora e constrói uma realidade totalmente artificial, afastando-se do que é natural ao homem: Amar a Deus e toda a sua plenitude.

Numa certa ocasião Jesus disse: ‘Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundancia’. E ainda há muitos que pensam diferente disso.  

Teve um filosofo A. Camuz, por exemplo,  que achava que a vida não tinha sentido e que, portanto, viver era um absurdo e que  apenas queremos sobreviver no engano até a morte. Inclusive, esse Camuz comparou a vida com um jogo e neste jogo fazemos um pré-acordo onde sempre saímos derrotados. De acordo com ele, tal como este jogo não tem sentido, também a vida não tem ...

Só que esta forma de pensar da filosofia acerca do sentido da vida no mundo pode levar a uma angústia existencial, que é um estado de inquietação provocado pela consciência de um destino pessoal marcado pelo sofrimento e pela ameaça da morte. Mas cada um constrói a sua verdade de acordo com a expansão da própria consciência. 

Ressaltando que no caso de nós cristãos, penso eu,  que nem a ciência nem a filosofia detém a verdade/resposta absoluta sobre o sentido da vida, uma vez que elas estão sempre se atualizando e contradizendo. Já no Cristianismo, a vida  diariamente sofre uma mudança, redescoberta e transformação que vai moldando ou adequando a pessoa aos propósitos de Deus...  Biblicamente, Jesus nos disse:

‘Vinde a mim todos que estão cansados, oprimidos e sobrecarregados, e eu vos aliviarei…’

Infelizmente, a fé cristã tem sido um terreno aberto à fascinação desses novos movimentos de natureza humana integradora, emotiva e racional.

Muitos pregadores abriram as portas para os livres pensadores do absurdo adentrar com suas ideologias que difundem uma implantação de ideias desumanas. Apesar de negarem isso.

Acerca do sentido da vida, reconheço que tanto a ciência, a filosofia e a religião trabalham nas repostas, e todos procuram uma justificação de um ideal ou de uma finalidade derradeira para encontrar a nossa real certeza.   Porém, a minha estranheza está em ver nesses últimos tempos, o surgimento de certos progressistas cristãos alienados nas denominações religiosas que insistem em dar-nos a entender que o esclarecimento da vida não vem só das interpretações singulares da bíblia, mas também do ambiente em que vivemos e que com o tempo vamos adquirindo outros sentidos.  

Mas esta forma de pensar filosófico/cientifico do sentido racional da vida é maligno e pode nos levar a uma angústia existencial, que é um estado de inquietação provocado pela consciência de um destino pessoal marcado pelo sofrimento e pela ameaça tudo.

Qualquer crente “racional e progressista" é contrário a bíblia, pois nossa fé não é uma atividade motivadora humana de bem estar social, mas de conciliação com Deus. 

Poucos entendem que a fé é acompanhada por um prazer, uma satisfação profunda e diuturna, cheia de intensidade proveniente da consciência de que estamos a avançar nas direções certas: Deus/paz/liberdade. Contudo, digo que, fora a ciência, por vezes, a filosofia e a fé não excluem a emoção cujo prazer é encarado como acompanhante da ação racional e com o tempo desenvolve o nosso pensamento crítico em conformidade com a nossa natureza. 

Tanto que eu penso que o que está por trás dessa “interrogação”, é oriunda não somente do interesse em saber responde-la filosoficamente  ou racionalmente, de querer através das próprias experiências estapafúrdias, cheias de conjecturas emocionais, manipular e impor uma existência de vislumbre ideológico carnal, mas diabolicamente,  confundir os crentes.

Em suma, como eu, há quem pense que realmente a vida tem propósito e não sentido somente, tanto é que sabem e entendem que viver requer fé, razão, direção e finalidade, outros pensam que a única coisa que dá sentido à vida é a liberdade e o uso que fazermos dela e os demais afirmam que é impossível a inteligência do ser humano ter aparecido do nada e isso basta..

Mas Se realmente a vida transcendente o nosso entendimento, tem de existir algo para além dela. E a falha de querer responder o sentido da vida tem como questão principal na maioria a má interpretação emotiva de tudo ao nosso redor. Mas o que quer dizer interpretar emotivamente?

Por exemplo, as emoções tanto científica, filosófica e religiosa dão forma à relação que temos com a gente mesmo e com o próximo. Através delas criamos relações afetivas e símbolos sócios-culturais pelos quais se constituem práticas comuns numa sociedade. No entanto, é bom sabermos que o que dá sentido à vida não é o começo, meio ou fim, efetivamente, mas saber qual é o objetivo que nos orienta e justifica aquilo que fazemos e que somos na terra enquanto vivermos. O real o sentido a saber seria: qual é o propósito da vida?

Particularmente, creio que o sentido da vida é essencialmente motivado por disposições afetivas vinda de Deus, mas ela não se separa das demais linguagens que articulam pensamentos de significação partilhada na terra. Porém, hoje as palavras que curavam, não são boas. Algumas até ajudam, incentivam, adiam ou simulam redenções e só.

Isto leva-me a implorar a todos os que falam ou escrevem, na Igreja e fora dela, nos palcos da política, da cultura, da comunicação social, que salvem a Palavra de Deus, não a matem sufocada pelas “vozes” filosóficas, pois só a Palavra maturada no silêncio será ouvida e desencadeará nos outros caminhos de vida. exemplarmente demonstrada pelo centurião a Jesus:

...diz somente uma palavra e o meu servo será curado  (Lucas 7,7) [13]. 

Que caminhos outros teremos, então, de percorrer para nos reaproximarmos da confiada pedido do centurião a Jesus? 

Sinto-me cada vez mais atraído por esse silêncio onde a Palavra é fonte de sentido e me convida a voltar aos modelos, antes do texto ou através do texto.

Termino como comecei: quando uma resposta é silenciosa em Deus, o homem não questiona. 

fotos

tom caet