09/04/2021

Lucas 23:34 e o narcisismo do homem

 


Como cristão, aprendemos que pela fé sabemos que Deus deu a cada ser humano um proposito no mundo e na vida, e isso de certo modo causa ferida emocional que abala a ideia que todos tem de si mesmo.

Além disso aprendemos que ao longo deste caminho doloroso que nos leva à Jesus, parecemos com Simão Cirineu, discípulo de todos os tempos, que caminha após Jesus, levando também ele a sua cruz (Lc 23, 26); parecemos com as mulheres de Jerusalém que o lamentam (Lc 23, 27); parecemos com os malfeitores crucificados com ele: "Jesus, lembra-te de mim, quando estiveres no teu Reino." (Lc 23, 42) e a quem Jesus responde: "Em verdade te digo: hoje estarás comigo no Paraíso. " (Lc 23, 43).

Também parecemos com Pedro, cujo amor ao Senhor o faz dizer: "Senhor, estou pronto a ir contigo até para a prisão e para a morte" (Lc 22, 33) mas que, na primeira ocasião, renegará o seu mestre: " Eu te digo, Pedro: o galo não cantará hoje sem que, por três vezes, tenhas negado conhecer-me." (Lc 22, 34). Parecemos com Judas, à frente de uma multidão de pessoas, querendo traí-lo (Lc 22,47).

E por fim, parecemos com todos que viviam discutindo entre si acerca de quem entre era o maior, conforme descrito por Lucas 22, 24.

Como vimos acima, do ponto de vista da fé alguns dos fatos por si só satisfazem as relevantes descobertas científicas acerca do comportamento dos profetas por causa do narcisismo humano.

Mas adiante Freud diagnosticou as três principais feridas narcisistas do homem: 

O seu orgulho desmedido, a sua imperceptível autoestima e o seu insuperável amor-próprio.

Além dos profetas, vemos o exemplo da ferida do seu orgulho desmedido nos homens da ciência tipo:

Copérnico - que afirmava que o homem não era o centro do mundo e a terra não era o centro do universo em torno da qual tudo, incluindo o próprio sol, parecia girar, e era apenas um pequeno planeta que, ao contrário do que a realidade sugeria, gravita, ele sim, à volta do sol.

Posteriormente descobriu-se que o próprio sol não passa de uma pequena estrela de quinta grandeza, perdida na extremidade de um braço de uma galáxia espiral chamada Via Láctea, ela própria condenada a ser engolida por outra bem maior (Andrómeda) em cuja rota de colisão já entrámos e da qual já nada nos pode afastar. 

Tal qual Copérnico outros homens do “conhecimento” que chegaram à mesma conclusão, pagaram caro por essa ousadia: 

Giordano Bruno, foi queimado vivo na fogueira das certezas religiosas, intolerantes e obscurantistas, enquanto outro, Galileu Galilei, foi obrigado a abjurar as mesmas verdades para evitar aquele destino cruel.

Já a segunda ferida narcísica do homem é sua imperceptível autoestima bem desferida por Charles Darwin que proclamou que não éramos uma criação de Deus, feitos à sua imagem e semelhança, mas sim o fruto de milhões de anos de evolução a partir de outras espécies.

Darwin também pagou caro a ousadia dessa verdade. As suas ideias ardem até hoje nas fogueiras da estupidez e da intolerância cientifica cujo seguidores são amantes da ciência e não da beneficência humana propriamente dita...

E por fim, o insuperável amor-próprio foi provocada pelo próprio Freud ao dizer-nos que somos muito mais do que a consciência que temos de nós mesmo. Ele disse que somos habitados pelo desconhecido e a nossa consciência não constitui sequer a essência da nossa vida psíquica. E que muitos dos nossos comportamentos são determinados por impulsos irracionais onde não somos capazes de compreender nem de controlar. Enfim, nesse ledo engano, Freud acha que nós não somos senhores de nós mesmos e até hoje é zoado pelas suas ideias estapafúrdias.

Narcisismo é um pensar antropológico que fala por si a si mesmo. E a fé não é uma teoria oriunda de sectores mentais primorosamente organizado por nós e para nós míseros humanos entender 

Pelo contrário, a fé independente das circunstâncias surge divinamente..., ela nos eleva ao equilíbrio singular: da confiança, paz, perdão, compaixão, solidariedade.... algumas cheia de ministérios ténues que propiciam dar significado a todas as coisas, inclusive o vazio cientifico.

Deus criou tudo. E tudo foi, desde os momentos originais, concebido e orientado especificamente para esse efeito concreto. Cabe a nós, como humanidade, prestar homenagem à grandeza Dele aos mistérios do universo e não este incorrigível narcisismo carnal e diabólico de achar quem existe algo maior que Ele..

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tom caet