30/11/2023

empatia João 17:21

 


Por que alguém sobre quem não tem informação alguma pode parecer-nos uma ameaça?

Sim, há pessoas que sentem antipatia pelos outros.  Acontece que em “certos” casos, trata-se de sinais que a outra pessoa emite que evocam em nós “certas” lembranças das experiências ou com pessoas desagradáveis com as quais tivemos contato num momento qualquer de nossas vidas.

No nível fisiológico, pode ser uma mania, aparência, cheiro, tom de voz ou até mesmo um gesto para fazer amígdala cerebelosa - aludindo à teoria de Daniel Goleman, ou seja, que há uma glândula que fica numa região do cérebro responsável, em grande medida, pelos julgamentos rápidos que emitimos a respeito das pessoas. E ela ao reagir, naturalmente dispara o alerta. Portanto, “Qualquer emoção que nos leve a comportamentos viscerais está sendo administrada diretamente por essa glândula, por isso a resposta automática não é racional, e sim espontânea e instintiva”.

Já biblicamente, "Vós sois o sal da terra; e se o sal for insípido, com que se há de salgar? Para nada mais presta senão para se lançar fora, e ser pisado pelos homens. Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte; nem se acende a candeia e se coloca debaixo do alqueire, mas no velador, e dá luz a todos que estão na casa. Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus." (Mt 5:13-16).

Além do mais, pra se defender, muitos “crentes” afirmam: “ninguém me muda” ou "Não tenho culpa de ser assim", ou "Esta é minha maneira de ser"... enfim. A maioria tenta se justificar para justificar a antipatia.

Mas da boca de um nascido de novo (convertido) isso é injustificável. Porque era assim antes de ser condenado e morrer com Cristo na cruz. Agora deve viver em novidade de vida.

"De sorte que fomos sepultados com ele pelo batismo na morte; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos, pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida. Porque, se fomos plantados juntamente com ele na semelhança da sua morte, também o seremos na da sua ressurreição; sabendo isto, que o nosso homem velho foi com ele crucificado, para que o corpo do pecado seja desfeito, para que não sirvamos mais ao pecado." (Rm 6:4-6).

Caso não entenda sobre o que acima foi dito, exemplifico com história de Lázaro, amigo de Jesus que ficou doente e morreu enquanto ele estava longe. Depois de contactado viaja dias até a casa de Lázaro para trazê-lo de volta à vida e é recebido por suas irmãs, Marta e Maria, que estavam de luto. Maria se lança aos pés de Jesus e Lhe diz: “Senhor, se tu estivesses aqui, meu irmão não teria morrido” (João 11:32). João então nos diz: “Jesus com toda empatia vendo-a chorar, e os judeus que com ela vinham também, moveu-se muito em espírito, (…) perturbou-se” e “chorou” (João 11:33, 35).

Certamente, não   chorou pela perda de Lázaro. Afinal, Ele sabia e planejava trazê-lo de volta à vida em breve (ver João 11:4, 14–15, 17). Mas em vez disso, chorou pela dor que Maria, Marta   estavam sentindo; uma dor que Ele sabia que desapareceria em questão de tempo, mas que ainda era real para todos naquele momento.

Portanto, empatia é um dos atributos de Cristo, ela nos capacita entender e compartilhar os sentimentos dos outros e como seguidor dele devemos nos esforçar para entender melhor, cultivar e expressar maior   amar em servir ao próximo de acordo com as necessidades dele.

Nesse sentido, ter essa característica nos ajuda em nossa busca de “estender a mão” para edificar união e inclusão. Pensem nisso por um momento:

Por estarmos vivendo em um período tão distante de quando Jesus viveu na Terra, podemos não entender plenamente algumas das maneiras pelas quais Ele desafiou as doutrinas religiosas de Sua época para ajudar outras pessoas. Tipo tocar em pessoas doentes ou consideradas pela tradição (lei de Moisés) como impuras.  Pregou aos que tinham má reputação e aos gentios. Assim, podemos ouvi-las com a intenção de entender, em vez de julgar ou responder; podemos evitar a tendência de sermos depreciativos, defensivos ou críticos das pessoas com quem discordamos; e podemos, com paciência, conectar-nos com as pessoas no ponto em que elas estão na jornada de progresso, em vez de no ponto em que desejamos que elas estivessem.

Nesses últimos meses do ano, descobri que, quanto melhor entendo a perspectiva e as experiências dos outros, mais sinto compaixão, adquiro compreensão mais madura sobre questões complexas e me sinto mais bem preparado para servir.  Porque é difícil amar alguém quando não conhecemos a história dessa pessoa.

Por fim, acerca daqueles com quem discordamos ou não nos damos bem, ou ainda aqueles com quem estamos propensos a discutir, literalmente a dizer: “não vou com sua cara”, que ao servirmos com amor, ajudamos a cumprir a oração de Cristo de que Seus seguidores “sejam um como tu, ó Pai, és em mim, e eu, em ti; que também eles sejam um em nós” (João 17:21).

Não podemos enxergar ou elevar outras pessoas ao nosso nível de entendimento ou aceitação, mas como filhos de Deus podemos estender os braços e acolhe-las também como um filho de Deus. Pois quando a antipatia fala e às vezes grita aos nossos ouvidos, certamente denota a manifestação do nosso ego, e isso é sinal marcante do nosso distanciamento do Senhor e Salvador Jesus

 

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tom caet